Iniciação à sabedoria (De congressu eruditionis gratia) é um dos tratados mais pedagógicos e programáticos de Fílon de Alexandria. Nele, o autor desenvolve uma teoria da formação da alma que articula, de modo original, a tradição bíblica judaica e o ideal filosófico grego de paideía. O fio condutor da obra é a leitura alegórica das figuras bíblicas, especialmente Sara, Agar, Abraão, Isaac e Jacó, como símbolos dos estágios do conhecimento e da educação espiritual. Sara representa a sabedoria verdadeira (sophía) e a excelência moral; Agar, sua serva egípcia, simboliza os estudos propedêuticos, isto é, a cultura geral e as artes liberais (gramática, música, geometria, retórica, dialética), necessárias como preparação, mas insuficientes em si mesmas Fílon sustenta que a alma humana, enquanto ainda imatura, não pode gerar diretamente os frutos da sabedoria. Antes, precisa unir-se à “serva”, isto é, à formação intelectual preliminar, que disciplina os sentidos, educa a linguagem e ordena o pensamento. Esses saberes são comparados ao leite antes do alimento sólido: indispensáveis, porém transitórios.